Publicado por: nataliakeri | 02/03/2010

Lúcio

Sua grande alegria começou com uma pane no elevador, que provocou uma instigante espera de vinte minutos para descer dezeseis andares.

No hall do andar, aquela era mais uma porta fechada, com um número e um capacho regulares. Inquieto pelo atraso, foi surpreendido por uma sorrateira fuga de notas musicais. Por baixo daquela soleira, um tango ia escorrendo.

Durante toda a tarde, a melodia apareceu em seus pensamentos. Somente alguém muito especial lançaria aqueles sons ao ar.

Dia após dia, barbeava-se mais rapidamente para passar uns poucos minutos em respeitosa espionagem daquela porta. Punk rock, samba-canção, mangue-beat ou salsa eram as pistas do tesouro que haveria atrás das fechaduras.

Chegou radiante ao escritório quando insinuaram-se pelas dobradiças uma voz jovem e feminina acompanhando uma música de amor frustrado.

Clicou na pasta “Porta”, conectou o fone de ouvido e tocou as músicas que havia baixado nas últimas semanas. Em qual melodia se encaixaria melhor o som estridente da campainha?


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