E de repente o azul ficou muito muito tímido. E nós, que estamos acostumados a viver na sua cavidade colorida e alegre, acordamos dentro de um chumaço de tule empoeirado.
Dia após dia, um curativo de gaze encardida cobria o céu. O machucado se espalhou para o coração das pessoas. Melancolicamente, a cidade ia se arrastando de casa ao trabalho e da labuta para o lar.
Só de vez em quando o véu ficava menos franzido e espesso, deixando uma pontinha de esperança à vista. Tudo bem rapidinho.
A população, revoltada, passou a exigir que uma associação de terapeutas, em parceria com a Nasa, preparasse uma ação de combate ao acanhamento da cor primária.
Tudo isso acontecia enquanto Hélio passava os dias deitado na cama, com as persianas fechadas.
